domingo, 4 de abril de 2010
Biodiversidade é hoje um dos termos científicos mais conhecidos e divulgados em todo o mundo. Em menos de 15 anos de existência, entrou no vocabulário de uso geral. Deveria, portanto, ser um conceito muito bem estabelecido e definido mas, pelo contrário, não é ainda bem compreendido por muitas pessoas, inclusive por cientistas. Neste texto, quero mostrar como surgiu este conceito e explorar um pouco seu significado.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
O valor da biodiversidade
Paulo Coutinho
Qual o valor da biodiversidade? Se imediatamente pensamos que uma quantidade de dinheiro, mesmo extremamente elevada, é a resposta, fizemos uma equivalência; haveria assim uma possibilidade de compararmos dinheiro a algo tão complexo. Se igualamos a biodiversidade - e há quem fale em "capital natural" - a um estoque qualquer de um produto ou matéria-prima, haveria uma comparabilidade que nos permitiria expressá-la em unidades monetárias. Esse raciocínio está baseado no pressuposto da indiferença na perspectiva de um consumidor individual: dado um montante de dinheiro disponível, um consumidor, supostamente bem informado e, portanto, racional, escolheria entre os bens e serviços necessários para sua satisfação.
A biodiversidade, quando apresentada como apenas um estoque não diferenciado de outros recursos econômicos, estaria sujeita a racionalizações como a apresentada. Se trocamos o dinheiro do consumidor individual por um certo patamar de desenvolvimento econômico chegamos mais perto de questões discutidas internacionalmente desde o início dos anos 70. O objetivo, para muitos, seria alcançarmos uma "escolha ótima" entre determinado nível de desenvolvimento econômico, expresso em expansão da produção (PIB) e a preservação ambiental. A idéia, nem sempre explícita, de que a Amazônia deveria apresentar um desenvolvimento "com o máximo de preservação possível" esclarece o mecanismo que opõe crescimento econômico e manutenção da biodiversidade como escolhas a serem de alguma forma equilibradas em uma "decisão ótima".
Com o estabelecimento da comparabilidade entre dinheiro ou desenvolvimento econômico - que pode ser expresso em unidades monetárias - e a preservação ambiental, abre-se a possibilidade de medir em dinheiro a manutenção total ou parcial de ecossistemas e, por fim, mesmo da biodiversidade. A que tipo de conclusão pode levar esse raciocínio explicita-se com as discussões sobre o efeito estufa e a análise de alguns economistas: não faltaram aqueles que apontaram para o fato de que a economia americana depende muito pouco de sua produção agrícola e que, portanto, o impacto causado por eventuais mudanças climáticas seriam também pouco importantes, pois acarretariam uma pequena queda na produção total dos Estados Unidos. Mesmo que a produção agrícola nesse país fosse reduzida à metade, o impacto seria relativamente pequeno; só faltou a esses economistas a percepção de que sem alimentos todo o resto da produção estaria comprometida, pois os americanos ainda comem.
Se os mesmos economistas fizessem um cálculo de quanto seria necessário de manutenção da atual biodiversidade para manter a atual produção agrícola mundial poderíamos chegar, por inferência, a um valor monetário da manutenção de todos os ecossistemas da Terra. Se a Amazônia, por exemplo, responde parcialmente pela manutenção do equilíbrio climático planetário, então gera um benefício para fora de suas fronteiras; alguns economistas chamam a isso de uma externalidade positiva. O valor financeiro dessa externalidade poderia ser assim calculado porque estaria expresso na manutenção das condições de produção de riqueza fora da Amazônia. Uma conclusão a que já se chegou com esse raciocínio é de que os habitantes da região deveriam ser pagos para a manutenção desse "serviço" prestado pela floresta.
Esses procedimentos seriam válidos se tomássemos a riqueza gerada na produção de bens e serviços como algo comparável e substituível pela biodiversidade. E aí entramos no meio de um intenso debate que mobiliza há décadas governos, ONGs e instituições internacionais. Determinadas perdas em "quantidades" de biodiversidade podem nos levar ao fim de ecosssistemas inteiros, o que seria uma perda irreparável. A biodiversidade não é um estoque qualquer; não tem substituto perfeito nem aproximado. Ainda inúmeras espécies não foram nem mesmo catalogadas, quanto menos avaliados seus eventuais usos. Não temos, assim, a possibilidade de uma "escolha racional", já que tratamos de algo desconhecido. Escolher entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental não guarda nenhuma semelhança com a escolha entre sapatos e camisas. O princípio que deve prevalecer aqui é o da precaução, dado nosso desconhecimento.
A biodiversidade não é homogênea como um estoque de trigo ou de televisores. Em todo o planeta, os ecossistemas são únicos e apenas parcialmente comparáveis. A complexidade da biodiversidade não nos permite pensá-la em quantidades ou partes e, ainda mais, como não há nenhuma segurança quanto ao funcionamento de sistemas extremamente complexos como a Amazônia - se podemos dizer que a Amazônia "funciona" - não se sabe qual seria o ponto de devastação a partir do qual o desequilíbrio poderia levar à completa degradação ou colapso desse ecossistema: não conhecemos o ponto de "não retorno". Supormos que há escolha entre produção de riqueza econômica e a manutenção da biodiversidade pode nos levar a equívocos extremamente graves.
Mas, enfim, a biodiversidade não tem um valor? Se pedimos às pessoas para dizerem quais são seus valores podemos eventualmente ouvir que é ser muito rico; mesmo para essas pessoas (e para aquelas que pensariam mas não ousariam dizer) o dinheiro estaria relacionado como um meio para possuir bens e serviços relacionados ao bem-estar material, associados a uma vida feliz ou, pelo menos, mais feliz. Ainda assim, um milionário trocaria todo seu patrimônio por água potável se estivesse perdido em um deserto.
Trata-se, quando falamos de biodiversidade, da manutenção da vida, não de uma espécie ou de uma proteína que a indústria farmacêutica eventualmente possa retirar de vegetais utilizados há milênios por uma população tradicional. Se a indústria, neste caso, patenteia o conhecimento de uma tribo da Amazônia e consegue medir o lucro apurado, o valor dessa planta para um pajé, no entanto, continuaria sendo outro: a preservação da cultura de seu povo. A biodiversidade, muitas vezes mantida e conhecida em seus segredos por povos em todo o planeta por milênios, pode ser fonte para um valor financeiro apurado em balancetes. Mas a manutenção da vida na Terra, tem um valor que não pode ser apurado por um raciocínio contábil ou financeiro qualquer, por melhores que sejam seus computadores e seus modelos de análise.
A biodiversidade tem um valor intrínseco: trata-se de mantermos as condições de permanência da vida; é, portanto, incomensurável. Senão, que medida usaríamos para medi-la? Número de espécies, fluxos de energia, unidades monetárias ou qualquer outra medida pode nos dar algumas referências parciais. Não conseguimos atribuir um valor financeiro à nossa própria vida, ainda que as companhias de seguro façam lá suas contas. Essas mesmas empresas, no entanto, não se arriscariam a fazer seus cálculos para a vida no planeta - assim esperamos - pelo absurdo de que com o fim da biodiversidade não teríamos ninguém para receber ou pagar o prêmio do seguro.
Paulo Coutinho é economista, mestre em Ciências Ambientais e doutorando em Ciências Sociais (Unicamp)
Paulo Coutinho
Qual o valor da biodiversidade? Se imediatamente pensamos que uma quantidade de dinheiro, mesmo extremamente elevada, é a resposta, fizemos uma equivalência; haveria assim uma possibilidade de compararmos dinheiro a algo tão complexo. Se igualamos a biodiversidade - e há quem fale em "capital natural" - a um estoque qualquer de um produto ou matéria-prima, haveria uma comparabilidade que nos permitiria expressá-la em unidades monetárias. Esse raciocínio está baseado no pressuposto da indiferença na perspectiva de um consumidor individual: dado um montante de dinheiro disponível, um consumidor, supostamente bem informado e, portanto, racional, escolheria entre os bens e serviços necessários para sua satisfação.
A biodiversidade, quando apresentada como apenas um estoque não diferenciado de outros recursos econômicos, estaria sujeita a racionalizações como a apresentada. Se trocamos o dinheiro do consumidor individual por um certo patamar de desenvolvimento econômico chegamos mais perto de questões discutidas internacionalmente desde o início dos anos 70. O objetivo, para muitos, seria alcançarmos uma "escolha ótima" entre determinado nível de desenvolvimento econômico, expresso em expansão da produção (PIB) e a preservação ambiental. A idéia, nem sempre explícita, de que a Amazônia deveria apresentar um desenvolvimento "com o máximo de preservação possível" esclarece o mecanismo que opõe crescimento econômico e manutenção da biodiversidade como escolhas a serem de alguma forma equilibradas em uma "decisão ótima".
Com o estabelecimento da comparabilidade entre dinheiro ou desenvolvimento econômico - que pode ser expresso em unidades monetárias - e a preservação ambiental, abre-se a possibilidade de medir em dinheiro a manutenção total ou parcial de ecossistemas e, por fim, mesmo da biodiversidade. A que tipo de conclusão pode levar esse raciocínio explicita-se com as discussões sobre o efeito estufa e a análise de alguns economistas: não faltaram aqueles que apontaram para o fato de que a economia americana depende muito pouco de sua produção agrícola e que, portanto, o impacto causado por eventuais mudanças climáticas seriam também pouco importantes, pois acarretariam uma pequena queda na produção total dos Estados Unidos. Mesmo que a produção agrícola nesse país fosse reduzida à metade, o impacto seria relativamente pequeno; só faltou a esses economistas a percepção de que sem alimentos todo o resto da produção estaria comprometida, pois os americanos ainda comem.
Se os mesmos economistas fizessem um cálculo de quanto seria necessário de manutenção da atual biodiversidade para manter a atual produção agrícola mundial poderíamos chegar, por inferência, a um valor monetário da manutenção de todos os ecossistemas da Terra. Se a Amazônia, por exemplo, responde parcialmente pela manutenção do equilíbrio climático planetário, então gera um benefício para fora de suas fronteiras; alguns economistas chamam a isso de uma externalidade positiva. O valor financeiro dessa externalidade poderia ser assim calculado porque estaria expresso na manutenção das condições de produção de riqueza fora da Amazônia. Uma conclusão a que já se chegou com esse raciocínio é de que os habitantes da região deveriam ser pagos para a manutenção desse "serviço" prestado pela floresta.
Esses procedimentos seriam válidos se tomássemos a riqueza gerada na produção de bens e serviços como algo comparável e substituível pela biodiversidade. E aí entramos no meio de um intenso debate que mobiliza há décadas governos, ONGs e instituições internacionais. Determinadas perdas em "quantidades" de biodiversidade podem nos levar ao fim de ecosssistemas inteiros, o que seria uma perda irreparável. A biodiversidade não é um estoque qualquer; não tem substituto perfeito nem aproximado. Ainda inúmeras espécies não foram nem mesmo catalogadas, quanto menos avaliados seus eventuais usos. Não temos, assim, a possibilidade de uma "escolha racional", já que tratamos de algo desconhecido. Escolher entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental não guarda nenhuma semelhança com a escolha entre sapatos e camisas. O princípio que deve prevalecer aqui é o da precaução, dado nosso desconhecimento.
A biodiversidade não é homogênea como um estoque de trigo ou de televisores. Em todo o planeta, os ecossistemas são únicos e apenas parcialmente comparáveis. A complexidade da biodiversidade não nos permite pensá-la em quantidades ou partes e, ainda mais, como não há nenhuma segurança quanto ao funcionamento de sistemas extremamente complexos como a Amazônia - se podemos dizer que a Amazônia "funciona" - não se sabe qual seria o ponto de devastação a partir do qual o desequilíbrio poderia levar à completa degradação ou colapso desse ecossistema: não conhecemos o ponto de "não retorno". Supormos que há escolha entre produção de riqueza econômica e a manutenção da biodiversidade pode nos levar a equívocos extremamente graves.
Mas, enfim, a biodiversidade não tem um valor? Se pedimos às pessoas para dizerem quais são seus valores podemos eventualmente ouvir que é ser muito rico; mesmo para essas pessoas (e para aquelas que pensariam mas não ousariam dizer) o dinheiro estaria relacionado como um meio para possuir bens e serviços relacionados ao bem-estar material, associados a uma vida feliz ou, pelo menos, mais feliz. Ainda assim, um milionário trocaria todo seu patrimônio por água potável se estivesse perdido em um deserto.
Trata-se, quando falamos de biodiversidade, da manutenção da vida, não de uma espécie ou de uma proteína que a indústria farmacêutica eventualmente possa retirar de vegetais utilizados há milênios por uma população tradicional. Se a indústria, neste caso, patenteia o conhecimento de uma tribo da Amazônia e consegue medir o lucro apurado, o valor dessa planta para um pajé, no entanto, continuaria sendo outro: a preservação da cultura de seu povo. A biodiversidade, muitas vezes mantida e conhecida em seus segredos por povos em todo o planeta por milênios, pode ser fonte para um valor financeiro apurado em balancetes. Mas a manutenção da vida na Terra, tem um valor que não pode ser apurado por um raciocínio contábil ou financeiro qualquer, por melhores que sejam seus computadores e seus modelos de análise.
A biodiversidade tem um valor intrínseco: trata-se de mantermos as condições de permanência da vida; é, portanto, incomensurável. Senão, que medida usaríamos para medi-la? Número de espécies, fluxos de energia, unidades monetárias ou qualquer outra medida pode nos dar algumas referências parciais. Não conseguimos atribuir um valor financeiro à nossa própria vida, ainda que as companhias de seguro façam lá suas contas. Essas mesmas empresas, no entanto, não se arriscariam a fazer seus cálculos para a vida no planeta - assim esperamos - pelo absurdo de que com o fim da biodiversidade não teríamos ninguém para receber ou pagar o prêmio do seguro.
Paulo Coutinho é economista, mestre em Ciências Ambientais e doutorando em Ciências Sociais (Unicamp)
Amália Safatle
De São Paulo
Com o clima batendo à porta, entrando pelas casas na forma de enchentes, nos cobrindo os joelhos na mais branda das hipóteses, ou nos desidratando em forma de insolação, o assunto do aquecimento global já não é mais distante e nem parece tão técnico.
Nevascas nos Estados Unidos, mortes por frio mundo afora, calorão que um dia desses elegeu o Rio de Janeiro como a cidade mais quente do planeta. Com causas locais e/ou globais, ou mesmo circunstanciais por fenômenos como o El Niño (potencializado ou não por fatores globais), a mudança do clima está na pele.
Ainda assim, não foi possível encontrar uma agenda comum entre povos, por meio de seus representantes reunidos na última cúpula do clima, para amenizar um problema ao mesmo tempo tão longe - pelo seu alcance -, e tão perto.
O que será, então, da agenda da biodiversidade? Antes da COP 16 do clima, a ser realizada no México, Nagoya, no Japão, sediará em outubro a COP 10 da biodiversidade (a 10 ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica). Um artigo publicado na revista Nature, em 24 de setembro do ano passado (nº 461), mostra como a questão supera, um termos de extrapolação dos limites físicos da Terra, até mesmo a questão climática.
Não que sejam assuntos estanques: a mudança do clima impacta diretamente na diversidade biológica do planeta e essa perda, por sua vez, não só torna os ecossistemas menos preparados para enfrentar as alterações climáticas como as acentua.
Fato é que a taxa de extinção das espécies é estimada de 100 a 1000 vezes mais alta do que poderia ser considerado um ritmo natural, em uma velocidade nunca vista desde a última extinção em massa (a última foi denominada de K-T, mais conhecida pela extinção dos dinossauros, e que levou ao extermínio de 60% da vida na Terra, segundo a Wikipedia). O que está acontecendo agora é a chamada extinção do Holoceno, com causas essencialmente antrópicas.
Menos fácil de ser compreendida em termos econômicos como a questão do clima (na qual já existe, por exemplo, um mercado de créditos de carbono em funcionamento e consolidação), a biodiversidade e a tragédia de suas perdas não parecem ser tão sentidas na pele humana. Nunca a nossa espécie contou com uma expectativa de vida tão alta e tanto conforto, propiciados pelo avanço da ciência, da medicina, da tecnologia.
Assim, talvez não soe tão óbvio o vínculo entre a necessidade de conservação das espécies, o bem-estar e a sobrevivência humana. Como convencer as pessoas de que o vínculo é mais forte do que pode parecer? De que todo esse conforto, essa oferta de alimentos e medicamentos não devem durar para sempre, mantido o ritmo de destruição? De que perdas importantes de vida estão acontecendo mesmo agora, ou já ocorreram, antes que pudéssemos pesquisar e descobrir seus valores?
Os aspectos morais e ainda mais essencialmente o amor gratuito pela vida da Terra em toda a sua diversidade, por si só, já deveriam sensibilizar e mover as pessoas em prol da conservação. Mas sabemos que o gênero humano age, sobretudo, por interesse próprio. E nem esse interesse próprio aparece tão visível e palpável. Eis aí o grande desafio de mobilização e de comunicação para a COP da Biodiversidade.
Mas o problema da perda brutal de biodiversidade também bate à porta. Nossos parentes mais próximos na escala evolutiva estão à beira da extinção - revela novo relatório elaborado pela IUCN (União Mundial para a Natureza) e pela Sociedade Internacional de Primatologia, em colaboração com a ONG Conservação Internacional.
O trabalho mostra que quase metade de todas as espécies de primatas está em perigo de extinção e lista as 25 espécies de primatas mais ameaçadas do planeta, entre macacos, chimpanzés, gorilas, lêmures e outros. São apontadas como principais ameaças aos primatas a destruição das florestas tropicais, o comércio ilegal de animais silvestres e a caça comercial.
Nesse ritmo de extinção em massa que engloba além dos primatas todas as espécies do mundo, a questão certamente já passou da água pelos joelhos.
De São Paulo
Com o clima batendo à porta, entrando pelas casas na forma de enchentes, nos cobrindo os joelhos na mais branda das hipóteses, ou nos desidratando em forma de insolação, o assunto do aquecimento global já não é mais distante e nem parece tão técnico.
Nevascas nos Estados Unidos, mortes por frio mundo afora, calorão que um dia desses elegeu o Rio de Janeiro como a cidade mais quente do planeta. Com causas locais e/ou globais, ou mesmo circunstanciais por fenômenos como o El Niño (potencializado ou não por fatores globais), a mudança do clima está na pele.
Ainda assim, não foi possível encontrar uma agenda comum entre povos, por meio de seus representantes reunidos na última cúpula do clima, para amenizar um problema ao mesmo tempo tão longe - pelo seu alcance -, e tão perto.
O que será, então, da agenda da biodiversidade? Antes da COP 16 do clima, a ser realizada no México, Nagoya, no Japão, sediará em outubro a COP 10 da biodiversidade (a 10 ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica). Um artigo publicado na revista Nature, em 24 de setembro do ano passado (nº 461), mostra como a questão supera, um termos de extrapolação dos limites físicos da Terra, até mesmo a questão climática.
Não que sejam assuntos estanques: a mudança do clima impacta diretamente na diversidade biológica do planeta e essa perda, por sua vez, não só torna os ecossistemas menos preparados para enfrentar as alterações climáticas como as acentua.
Fato é que a taxa de extinção das espécies é estimada de 100 a 1000 vezes mais alta do que poderia ser considerado um ritmo natural, em uma velocidade nunca vista desde a última extinção em massa (a última foi denominada de K-T, mais conhecida pela extinção dos dinossauros, e que levou ao extermínio de 60% da vida na Terra, segundo a Wikipedia). O que está acontecendo agora é a chamada extinção do Holoceno, com causas essencialmente antrópicas.
Menos fácil de ser compreendida em termos econômicos como a questão do clima (na qual já existe, por exemplo, um mercado de créditos de carbono em funcionamento e consolidação), a biodiversidade e a tragédia de suas perdas não parecem ser tão sentidas na pele humana. Nunca a nossa espécie contou com uma expectativa de vida tão alta e tanto conforto, propiciados pelo avanço da ciência, da medicina, da tecnologia.
Assim, talvez não soe tão óbvio o vínculo entre a necessidade de conservação das espécies, o bem-estar e a sobrevivência humana. Como convencer as pessoas de que o vínculo é mais forte do que pode parecer? De que todo esse conforto, essa oferta de alimentos e medicamentos não devem durar para sempre, mantido o ritmo de destruição? De que perdas importantes de vida estão acontecendo mesmo agora, ou já ocorreram, antes que pudéssemos pesquisar e descobrir seus valores?
Os aspectos morais e ainda mais essencialmente o amor gratuito pela vida da Terra em toda a sua diversidade, por si só, já deveriam sensibilizar e mover as pessoas em prol da conservação. Mas sabemos que o gênero humano age, sobretudo, por interesse próprio. E nem esse interesse próprio aparece tão visível e palpável. Eis aí o grande desafio de mobilização e de comunicação para a COP da Biodiversidade.
Mas o problema da perda brutal de biodiversidade também bate à porta. Nossos parentes mais próximos na escala evolutiva estão à beira da extinção - revela novo relatório elaborado pela IUCN (União Mundial para a Natureza) e pela Sociedade Internacional de Primatologia, em colaboração com a ONG Conservação Internacional.
O trabalho mostra que quase metade de todas as espécies de primatas está em perigo de extinção e lista as 25 espécies de primatas mais ameaçadas do planeta, entre macacos, chimpanzés, gorilas, lêmures e outros. São apontadas como principais ameaças aos primatas a destruição das florestas tropicais, o comércio ilegal de animais silvestres e a caça comercial.
Nesse ritmo de extinção em massa que engloba além dos primatas todas as espécies do mundo, a questão certamente já passou da água pelos joelhos.
terça-feira, 23 de março de 2010
O planeta Terra abriga diferentes paisagens naturais.
A formação da palavra biodiversidade se dá pela união do radical Bio = vida, e da palavra diversidade = variedade, conclui-se que biodiversidade significa ‘variedade de vida’.
A Biodiversidade reúne toda variedade de vida, desde microrganismos até animais e plantas. É o conjunto de espécies que estabelece uma inter-relação no qual cada ser, por mais simples que seja, tem uma função fundamental na composição do ecossistema.
A biodiversidade funciona como uma máquina, onde animais e vegetais são suas engrenagens, por exemplo, se uma espécie de vegetal for comprometida poderá ocasionar a extinção daquele animal que o tem como base de sua dieta. Esse animal que se extinguiu possuía uma função na cadeia alimentar ou na própria natureza.
A preservação da natureza e da diversidade garante a proliferação da vida.
As indústrias têm focalizado sua atenção às florestas, para conhecer espécies que podem ser utilizadas como matéria-prima na produção de medicamentos e cosméticos, mas não pensam que essa exploração pode alterar ou impactar as áreas de possível extração.
O homem com sua capacidade de pensar, gerar riquezas, desenvolver tecnologias, cria várias coisas, mas não consegue, ou não quer recriar os habitat que ele mesmo danificou.
Estudos revelam que nos próximos 25 anos, entre duas a sete espécies em cada 100 vão extinguir-se, então verificamos que cada planta extinta ocasiona a perda de 30 espécies de animais e insetos que dela dependem.
Eduardo de Freitas
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola
A formação da palavra biodiversidade se dá pela união do radical Bio = vida, e da palavra diversidade = variedade, conclui-se que biodiversidade significa ‘variedade de vida’.
A Biodiversidade reúne toda variedade de vida, desde microrganismos até animais e plantas. É o conjunto de espécies que estabelece uma inter-relação no qual cada ser, por mais simples que seja, tem uma função fundamental na composição do ecossistema.
A biodiversidade funciona como uma máquina, onde animais e vegetais são suas engrenagens, por exemplo, se uma espécie de vegetal for comprometida poderá ocasionar a extinção daquele animal que o tem como base de sua dieta. Esse animal que se extinguiu possuía uma função na cadeia alimentar ou na própria natureza.
A preservação da natureza e da diversidade garante a proliferação da vida.
As indústrias têm focalizado sua atenção às florestas, para conhecer espécies que podem ser utilizadas como matéria-prima na produção de medicamentos e cosméticos, mas não pensam que essa exploração pode alterar ou impactar as áreas de possível extração.
O homem com sua capacidade de pensar, gerar riquezas, desenvolver tecnologias, cria várias coisas, mas não consegue, ou não quer recriar os habitat que ele mesmo danificou.
Estudos revelam que nos próximos 25 anos, entre duas a sete espécies em cada 100 vão extinguir-se, então verificamos que cada planta extinta ocasiona a perda de 30 espécies de animais e insetos que dela dependem.
Eduardo de Freitas
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola
Biodiversidade: O termo biodiversidade ou diversidade biológica, inclui as diversidade ecológica e genética. A diversidade ecológica se refere ao número de espécies em determinadas áreas, o papel ecológico que estas espécies desempenham, o modo como a composição de espécies muda conforme muda a região e o agrupamento de espécies que ocorrem em áreas específicas, junto com os processos e interações que ocorrem dentro destes sistemas.
Os costões rochosos comportam uma rica e complexa comunidade biológica. O substrato duro favorece a fixação de larvas de diversas espécies de invertebrados, sendo comum a ocupação do espaço por faixas densas de espécies fixas (sésseis). Nos costões rochosos, a variação das condições ambientais se verifica numa escala espacial incomparavelmente menor que nos sistemas terrestres, justificando os bem definidos limites das populações que produzem o aspecto zonado das comunidades aí instaladas. Além disso, a grande diversidade de micro-hábitats certamente contribui para a determinação da diversidade biológica. Diferentes grupos apresentam adaptações e formas de vida relacionadas ao local que habitam.
Da mesma forma que nos sistemas terrestres, os costões de regiões tropicais são mais biodiversos.
A seguir, são relacionados os principais grupos que compõem os elementos vivos deste ecossistemas, lembrando sempre que a abundância e a dominância de cada grupo pode variar substancialmente em cada região do planeta.
VEGETAIS
Divisão Chlorophyta (Algas verdes)
Caulerpa racemosa Ulva fasciata
Foto: Suzana S. Rodrigues (Biota/FAPESP) Foto: Suzana S. Rodrigues (Biota/FAPESP)
Cladophora sp.
Foto: Suzana S. Rodrigues (Biota/FAPESP)
Divisão Rhodophyta (Algas vermelhas)
Galaxaura marginata alga calcária crostosa
Fotos: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
algas calcárias articuladas Asparagopsis taxiformis
Fotos: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
Divisão Phaeophyta (Algas pardas)
Sargassum vulgare Padina gymnospora
Fotos: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
Divisão Cyanophyta (Algas azuis ou cianobactérias)
ANIMAIS
Filo Porifera
Esponja-do-mar Esponja-do-mar
Foto: Marly C. Simões Foto: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
Filo Cnidaria
Gorgonia sp. Mussismilia hispida (coral cérebro)
Foto: Marly C. Simões Foto: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
Anêmona
Foto: Marly C. Simões
Filo Mollusca
Nudibrânquio Gastrópode
Fotos: Marly C. Simões
Gastrópode
Foto: Marly C. Simões
Filo Annelida
Phragmatopoma sp. (poliqueta colonial) Sacebella sp. (poliqueta tubícola)
Foto: Suzana S. Rodrigues (Biota/FAPESP) Foto: Marly C. Simões
Filo Crustacea
Caranguejo Ermitão em concha de gastrópode
Fotos: Marly C. Simões
Ballanus sp. (craca) Chthamalus sp. (cracas)
Foto: Marly C. Simões Foto: Suzana S. Rodrigues (Biota/FAPESP)
Camarão
Foto: Marly C. Simões
Filo Echinodermata
Oreaster sp. (estrela-do-mar) Lytechinus variegatus (ouriço-roxo)
Fotos: Marly C. Simões
Filo Bryozoa
Schizoporella unicornis
Foto: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
Filo Urochordata
Ascídia colonial Ascídia colonial
Foto: Natalia P. Ghilardi (Biota/FAPESP) Foto: Marly C. Simões
Filo Pisces
Pomacanthus paru (Frade - no centro) Juvenil de Pomacanths paru
e Abudefduf saxatilis (Sargento)
Os costões rochosos comportam uma rica e complexa comunidade biológica. O substrato duro favorece a fixação de larvas de diversas espécies de invertebrados, sendo comum a ocupação do espaço por faixas densas de espécies fixas (sésseis). Nos costões rochosos, a variação das condições ambientais se verifica numa escala espacial incomparavelmente menor que nos sistemas terrestres, justificando os bem definidos limites das populações que produzem o aspecto zonado das comunidades aí instaladas. Além disso, a grande diversidade de micro-hábitats certamente contribui para a determinação da diversidade biológica. Diferentes grupos apresentam adaptações e formas de vida relacionadas ao local que habitam.
Da mesma forma que nos sistemas terrestres, os costões de regiões tropicais são mais biodiversos.
A seguir, são relacionados os principais grupos que compõem os elementos vivos deste ecossistemas, lembrando sempre que a abundância e a dominância de cada grupo pode variar substancialmente em cada região do planeta.
VEGETAIS
Divisão Chlorophyta (Algas verdes)
Caulerpa racemosa Ulva fasciata
Foto: Suzana S. Rodrigues (Biota/FAPESP) Foto: Suzana S. Rodrigues (Biota/FAPESP)
Cladophora sp.
Foto: Suzana S. Rodrigues (Biota/FAPESP)
Divisão Rhodophyta (Algas vermelhas)
Galaxaura marginata alga calcária crostosa
Fotos: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
algas calcárias articuladas Asparagopsis taxiformis
Fotos: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
Divisão Phaeophyta (Algas pardas)
Sargassum vulgare Padina gymnospora
Fotos: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
Divisão Cyanophyta (Algas azuis ou cianobactérias)
ANIMAIS
Filo Porifera
Esponja-do-mar Esponja-do-mar
Foto: Marly C. Simões Foto: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
Filo Cnidaria
Gorgonia sp. Mussismilia hispida (coral cérebro)
Foto: Marly C. Simões Foto: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
Anêmona
Foto: Marly C. Simões
Filo Mollusca
Nudibrânquio Gastrópode
Fotos: Marly C. Simões
Gastrópode
Foto: Marly C. Simões
Filo Annelida
Phragmatopoma sp. (poliqueta colonial) Sacebella sp. (poliqueta tubícola)
Foto: Suzana S. Rodrigues (Biota/FAPESP) Foto: Marly C. Simões
Filo Crustacea
Caranguejo Ermitão em concha de gastrópode
Fotos: Marly C. Simões
Ballanus sp. (craca) Chthamalus sp. (cracas)
Foto: Marly C. Simões Foto: Suzana S. Rodrigues (Biota/FAPESP)
Camarão
Foto: Marly C. Simões
Filo Echinodermata
Oreaster sp. (estrela-do-mar) Lytechinus variegatus (ouriço-roxo)
Fotos: Marly C. Simões
Filo Bryozoa
Schizoporella unicornis
Foto: Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)
Filo Urochordata
Ascídia colonial Ascídia colonial
Foto: Natalia P. Ghilardi (Biota/FAPESP) Foto: Marly C. Simões
Filo Pisces
Pomacanthus paru (Frade - no centro) Juvenil de Pomacanths paru
e Abudefduf saxatilis (Sargento)
Dia Internacional da Biodiversidade
Dia 22 de Maio é dia internacional da biodiversidade. A biodiversidade é o termo utilizado para definir a variabilidade de organismos vivos, flora, fauna, fungos macroscópicos e microorganismos, abrangendo a diversidade de genes e de populações de uma espécie, a diversidade de espécies, a diversidade de interações entre espécies e a diversidade de ecossistemas.
Mais claramente falando, diversidade biológica, ou biodiversidade, refere-se à variedade de vida no planeta terra, incluindo a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas; e a variedade de comunidades, hábitats e ecossistemas formados pelos organismos.
Biodiversidade refere-se tanto ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas quanto à abundância relativa (equitabilidade) dessas categorias; e inclui variabilidade ao nível local (alfa diversidade), complementaridade biológica entre hábitats (beta diversidade) e variabilidade entre paisagens (gama diversidade). Biodiversidade inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes. A espécie humana depende da biodiversidade para a sua sobrevivência.
Atualmente, estima-se em 1,7 milhões o número de espécies identificadas. O número exato de espécies existentes sobre a Terra é ainda desconhecido e a sua estimação varia entre 5 e 100 milhões.A extinção das espécies vivas presentes sobre o nosso planeta é um fenômeno natural que se inscreve no quadro do processo da evolução. Contudo, devido às atividades humanas, as espécies e os ecossistemas são hoje objeto de ameaças mais graves do que em qualquer outra época histórica. As perdas tocam particularmente as florestas tropicais onde vivem 50 a 60% das espécies identificadas, assim como os rios e os lagos, os desertos e as florestas temperadas, as montanhas e as ilhas. De acordo com as estimações mais recentes, tendo em conta as taxas atuais de desmatamentos, assistiremos ao desaparecimento de dois a oito porcento das espécies vivas do nosso planeta nos próximos 25 anos.
A Biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas. As funções ecológicas desempenhadas pela biodiversidade são ainda pouco compreendidas, muito embora considere-se que ela seja responsável pelos processos naturais e produtos fornecidos pelos ecossistemas e espécies que sustentam outras formas de vida e modificam a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a vida.
A diversidade biológica possui, além de seu valor intrínseco, valor ecológico, genético, social, econômico, científico, educacional, cultural, recreativo e estético. Com tamanha importância, é preciso evitar a perda da biodiversidade e cada vez mais preservá-la.
Ameaça à Biodiversidade Brasileira
O Brasil é considerado o país de maior diversidade biológica do planeta. Segundo o Ibama, órgão responsável pelas listas oficiais de espécies da fauna e da flora brasileiras ameaçadas de extinção, 219 espécies animais (109 aves, 67 mamíferos, 29 insetos, nove répteis, um anfíbio, um artrópode, um coral, um peixe e um crustáceo) e 106 espécies vegetais correm o risco de desaparecer. Entre elas, algumas estão praticamente extintas, como a ararinha-azul.
Os fatores que ameaçam a biodiversidade são a caça predatória e ilegal, a derrubada de florestas, as queimadas, a destruição dos ecossistemas para loteamento e a poluição de rios. Outro problema grave que ameaça a fauna e a flora brasileira é a chamada biopirataria, a saída ilegal de material genético ou subprodutos de plantas e animais para pesquisas sobre novos medicamentos e cosméticos no exterior sem o pagamento de patentes.
Baseada em um projeto de lei, a medida prevê que estados, municípios, proprietários privados e comunidades indígenas tenham direito a parte do lucro resultante de produtos obtidos de vegetais e animais descobertos em suas áreas, além de um maior controle das coletas.
A regulamentação no País da Convenção da Biodiversidade, assinada durante a ECO-92, no Rio de Janeiro, por cerca de 150 países, depende da aprovação desse projeto de lei. O Acre e o Amapá são os únicos estados brasileiros que possuem leis específicas sobre a biopirataria. No Acre, para ter acesso aos recursos naturais da floresta Amazônica, as empresas estrangeiras precisam se associar a uma empresa ou entidade brasileira de pesquisa. O Brasil, em decorrência de suas características geográficas, diversidade de recursos naturais e níveis distintos de industrialização, convive com problemas ambientais bem diversos. Além da poluição, causada por dejetos domésticos, industriais e por agrotóxicos, e do problema do lixo, há a degradação de riquezas naturais. Nas grandes cidades as condições ambientais são nocivas, o desmatamento, a desertificação e a extinção de espécies biológicas (fauna e flora) ameaçam a biodiversidade e põem em risco a sustentabilidade dos ecossistemas e, por conseqüência, da própria qualidade de vida.
Segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o Brasil tem a maior taxa de desmatamento do mundo. Todos os anos, aproximadamente 18.200 km² da floresta Amazônica são desmatados, de acordo com relatório elaborado, entre 1995 e 1996, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Ibama. Como conseqüência, há redução da biodiversidade, aumento da erosão e comprometimento dos cursos d’água. Outros efeitos indiretos também podem ocorrer, como alterações no regime de chuva e no clima.
Depois da Amazônia, a Floresta Atlântica é uma das áreas mais atingidas pelo desmatamento no País. Além destas, outras áreas de vegetação encontram-se ameaçadas por ocupação ou exploração inadequadas. Considerado um dos maiores patrimônios naturais do planeta, o Pantanal vem sofrendo progressiva degradação por causa da intensa expansão das atividades agropecuárias. Essa área é a maior planície inundável do mundo - 150.000 km² - com uma zona de cerrado, onde, nos pontos mais úmidos, crescem espécies árboreas de floresta tropical.
Dia 22 de Maio é dia internacional da biodiversidade. A biodiversidade é o termo utilizado para definir a variabilidade de organismos vivos, flora, fauna, fungos macroscópicos e microorganismos, abrangendo a diversidade de genes e de populações de uma espécie, a diversidade de espécies, a diversidade de interações entre espécies e a diversidade de ecossistemas.
Mais claramente falando, diversidade biológica, ou biodiversidade, refere-se à variedade de vida no planeta terra, incluindo a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas; e a variedade de comunidades, hábitats e ecossistemas formados pelos organismos.
Biodiversidade refere-se tanto ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas quanto à abundância relativa (equitabilidade) dessas categorias; e inclui variabilidade ao nível local (alfa diversidade), complementaridade biológica entre hábitats (beta diversidade) e variabilidade entre paisagens (gama diversidade). Biodiversidade inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes. A espécie humana depende da biodiversidade para a sua sobrevivência.
Atualmente, estima-se em 1,7 milhões o número de espécies identificadas. O número exato de espécies existentes sobre a Terra é ainda desconhecido e a sua estimação varia entre 5 e 100 milhões.A extinção das espécies vivas presentes sobre o nosso planeta é um fenômeno natural que se inscreve no quadro do processo da evolução. Contudo, devido às atividades humanas, as espécies e os ecossistemas são hoje objeto de ameaças mais graves do que em qualquer outra época histórica. As perdas tocam particularmente as florestas tropicais onde vivem 50 a 60% das espécies identificadas, assim como os rios e os lagos, os desertos e as florestas temperadas, as montanhas e as ilhas. De acordo com as estimações mais recentes, tendo em conta as taxas atuais de desmatamentos, assistiremos ao desaparecimento de dois a oito porcento das espécies vivas do nosso planeta nos próximos 25 anos.
A Biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas. As funções ecológicas desempenhadas pela biodiversidade são ainda pouco compreendidas, muito embora considere-se que ela seja responsável pelos processos naturais e produtos fornecidos pelos ecossistemas e espécies que sustentam outras formas de vida e modificam a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a vida.
A diversidade biológica possui, além de seu valor intrínseco, valor ecológico, genético, social, econômico, científico, educacional, cultural, recreativo e estético. Com tamanha importância, é preciso evitar a perda da biodiversidade e cada vez mais preservá-la.
Ameaça à Biodiversidade Brasileira
O Brasil é considerado o país de maior diversidade biológica do planeta. Segundo o Ibama, órgão responsável pelas listas oficiais de espécies da fauna e da flora brasileiras ameaçadas de extinção, 219 espécies animais (109 aves, 67 mamíferos, 29 insetos, nove répteis, um anfíbio, um artrópode, um coral, um peixe e um crustáceo) e 106 espécies vegetais correm o risco de desaparecer. Entre elas, algumas estão praticamente extintas, como a ararinha-azul.
Os fatores que ameaçam a biodiversidade são a caça predatória e ilegal, a derrubada de florestas, as queimadas, a destruição dos ecossistemas para loteamento e a poluição de rios. Outro problema grave que ameaça a fauna e a flora brasileira é a chamada biopirataria, a saída ilegal de material genético ou subprodutos de plantas e animais para pesquisas sobre novos medicamentos e cosméticos no exterior sem o pagamento de patentes.
Baseada em um projeto de lei, a medida prevê que estados, municípios, proprietários privados e comunidades indígenas tenham direito a parte do lucro resultante de produtos obtidos de vegetais e animais descobertos em suas áreas, além de um maior controle das coletas.
A regulamentação no País da Convenção da Biodiversidade, assinada durante a ECO-92, no Rio de Janeiro, por cerca de 150 países, depende da aprovação desse projeto de lei. O Acre e o Amapá são os únicos estados brasileiros que possuem leis específicas sobre a biopirataria. No Acre, para ter acesso aos recursos naturais da floresta Amazônica, as empresas estrangeiras precisam se associar a uma empresa ou entidade brasileira de pesquisa. O Brasil, em decorrência de suas características geográficas, diversidade de recursos naturais e níveis distintos de industrialização, convive com problemas ambientais bem diversos. Além da poluição, causada por dejetos domésticos, industriais e por agrotóxicos, e do problema do lixo, há a degradação de riquezas naturais. Nas grandes cidades as condições ambientais são nocivas, o desmatamento, a desertificação e a extinção de espécies biológicas (fauna e flora) ameaçam a biodiversidade e põem em risco a sustentabilidade dos ecossistemas e, por conseqüência, da própria qualidade de vida.
Segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o Brasil tem a maior taxa de desmatamento do mundo. Todos os anos, aproximadamente 18.200 km² da floresta Amazônica são desmatados, de acordo com relatório elaborado, entre 1995 e 1996, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Ibama. Como conseqüência, há redução da biodiversidade, aumento da erosão e comprometimento dos cursos d’água. Outros efeitos indiretos também podem ocorrer, como alterações no regime de chuva e no clima.
Depois da Amazônia, a Floresta Atlântica é uma das áreas mais atingidas pelo desmatamento no País. Além destas, outras áreas de vegetação encontram-se ameaçadas por ocupação ou exploração inadequadas. Considerado um dos maiores patrimônios naturais do planeta, o Pantanal vem sofrendo progressiva degradação por causa da intensa expansão das atividades agropecuárias. Essa área é a maior planície inundável do mundo - 150.000 km² - com uma zona de cerrado, onde, nos pontos mais úmidos, crescem espécies árboreas de floresta tropical.
terça-feira, 9 de março de 2010
biodiversidade
BIODIVERSIDADE
Biodiversidade
Pode ser definida como a variedade e a variabilidade existente entre os organismos vivos e as complexidades ecológicas nas quais elas ocorrem. Ela pode ser entendida como uma associação de vários componentes hierárquicos: ecossistema, comunidade, espécies, populações e genes em uma área definida. A biodiversidade varia com as diferentes regiões ecológicas, sendo maior nas regiões tropicais do que nos climas temperados.
Diversidade biológica
" significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas. (Artigo 2 da Convenção sobre Diversidade Biológica)
Mais claramente falando, diversidade biológica, ou biodiversidade, refere-se à variedade de vida no planeta terra, incluindo a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas; e a variedade de comunidades, hábitats e ecossistemas formados pelos organismos. Biodiversidade refere-se tanto ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas quanto à abundância relativa (equitabilidade) dessas categorias; e inclui variabilidade ao nível local (alfa diversidade), complementaridade biológica entre hábitats (beta diversidade) e variabilidade entre paisagens (gama diversidade). Biodiversidade inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes.
A Biodiversidade éuma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas, e fonte de imenso potencial de uso econômico. A biodiversidade é a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais e, também, a base para a estratégica indústria da biotecnologia. As funções ecológicas desempenhadas pela biodiversidade são ainda pouco compreendidas, muito embora considere-se que ela seja responsável pelos processos naturais e produtos fornecidos pelos ecossistemas e espécies que sustentam outras formas de vida e modificam a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a vida. A diversidade biológica possui, além de seu valor intrínseco, valor ecológico, genético, social, econômico, científico, educacional, cultural, recreativo e estético. Com tamanha importância, é preciso evitar a perda da biodiversidade.
Impactos sobre a biodiversidade
Tanto a comunidade científica internacional quanto governos e entidades não-governamentais ambientalistas vêm alertando para a perda da diversidade biológica em todo o mundo, e, particularmente nas regiões tropicais. A degradação biótica que está afetando o planeta encontra raízes na condição humana contemporânea, agravada pelo crescimento explosivo da população humana e pela distribuição desigual da riqueza. A perda da diversidade biológica envolve aspectos sociais, econômicos, culturais e científicos.
Em anos recentes, a intervenção humana em hábitats que eram estáveis aumentou significativamente, gerando perdas maiores de biodiversidade. Biomas estão sendo ocupados, em diferentes escalas e velocidades. Áreas muito extensas de vegetação nativa foram devastadas no Cerrado do Brasil Central, na Caatinga e na Mata Atlântica. É necessário que sejam conhecidos os estoques dos vários hábitats naturais e dos modificados existentes no Brasil, de forma a desenvolver uma abordagem equilibrada entre conservação e utilização sustentável da diversidade biológica, considerando o modo de vida das populações locais.
Como resultado das pressões da ocupação humana na zona costeira, a Mata Atlântica, por exemplo, ficou reduzida a aproximadamente 10% de sua vegetação original. Na periferia da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, são encontradas áreas com mais de 500 espécies de plantas por hectare, muitas dessas são árvores de grande porte, ainda não descritas pela ciência.
Os principais processos responsáveis pela perda da biodiversidade são:
Perda e fragmentação dos hábitats;
Introdução de espécies e doenças exóticas;
Exploração excessiva de espécies de plantas e animais;
Uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e nos programas de reflorestamento;
Contaminação do solo, água, e atmosfera por poluentes; e
Mudanças Climáticas.
As inter-relações das causas de perda de biodiversidade com a mudança do clima e o funcionamento dos ecossistemas apenas agora começam a ser vislumbradas.
Três razões principais justificam a preocupação com a conservação da diversidade biológica. Primeiro porque se acredita que a diversidade biológica seja uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas. Segundo porque se acredita que a diversidade biológica representa um imenso potencial de uso econômico, em especial pela biotecnologia. Terceiro porque se acredita que a diversidade biológica esteja se deteriorando, inclusive com aumento da taxa de extinção de espécies, devido ao impacto das atividades antrópicas.
O Princípio da Precaução, aprovado na Declaração do Rio durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - CNUMAD (Rio-92), estabelece que devemos agir já e de forma preventiva, ao invés de continuar acomodados aguardando a confirmação das previsões para então tomar medidas corretivas, em geral caras e ineficazes.
Riqueza de espécies
O Brasil tem uma área de 8,5 milhões km², ocupando quase a metade da América do Sul. Essa área possui várias zonas climáticas que incluem o trópico úmido no norte, o semi-árido no nordeste e áreas temperadas no sul. As diferenças climáticas contribuem para as diferenças ecológicas formando zonas biogeográficas distintas chamadas biomas. A maior floresta tropical úmida (Floresta Amazônica) e a maior planínice inundável (o Pantanal) do mundo se encontram nesses biomas, além do Cerrado (savanas e bosques), da Caatinga (florestas semi-áridas) e da Mata Atlântica (floresta tropical pluvial). O Brasil possui uma costa marinha de 3,5 milhões km² com uma variedade de ecossistemas que incluem recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos.
A variedade de biomas reflete a riqueza da flora e fauna brasileiras, tornando-as as mais diversas do mundo. Muitas das espécies brasileiras são exclusivas no mundo (endêmicas). O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo, contando com um número estimado de mais de 20% do número total de espécies do planeta. Diversas espécies de plantas de importância econômica mundial são originárias do Brasil, destacando-se dentre elas o abacaxi, o amendoim, a castanha do Brasil (também conhecida como castanha do Pará), a mandioca, o caju e a carnaúba.
O Brasil abriga o maior número de primatas com 55 espécies, o que corresponde a 24% do total mundial; de anfíbios com 516 espécies; e de animais vertebrados com 3.010 espécies de vertebrados vulneráveis, ou em perigo de extinção. O país conta também com a mais diversa flora do mundo, número superior a 55 mil espécies descritas, o que corresponde a 22% do total mundial. Possui por exemplo, a maior riqueza de espécies de palmeiras (390 espécies) e de orquídeas (2.300 espécies). Possui também 3.000 espécies de peixes de água doce totalizando três vezes mais que qualquer outro país do mundo.
O Brasil é agraciado não só com a maior riqueza de espécies mas, também, com a mais alta taxa de endemismo. Uma em cada onze espécies de mamíferos existentes no mundo é encontrada no Brasil (522 espécies), juntamente com uma em cada seis espécies de aves (1.622), uma em cada quinze espécies de répteis (468), e uma em cada oito espécies de anfíbios (516). Muitas dessas são exclusivas para o Brasil, com 68 espécies endêmicas de mamíferos, 191 espécies endêmicas de aves, 172 espécies endêmicas de répteis e 294 espécies endêmicas de anfíbios. Esta riqueza de espécies corresponde a, pelo menos, 10% dos anfíbios e mamíferos e 17% das aves descritas em todo o planeta.
A composição total da biodiversidade brasileira não é conhecida e talvez nunca venha a ser, tal a sua magnitude e complexidade. Sabendo-se, entretanto, que para a maioria dos seres vivos o número de espécies no território nacional, na plataforma continental e nas águas jurisdicionais brasileiras é elevado, é fácil inferir que o número de espécies, tanto terrestres quanto marinhas, ainda não identificadas, pode alcançar valores da ordem de dezena de milhões no Brasil.
Apesar da riqueza de espécies nativas, a maior parte de nossas atividades econômicas está baseada em espécies exóticas. Nossa agricultura está baseada na cana-de-açúcar proveniente da Nova Guiné, no café da Etiópia, no arroz das Filipinas, na soja e na laranja da China, no cacau do México e no trigo da Ásia Menor. A silvicultura nacional depende de eucaliptos da Austrália e de pinheiros da América Central. A pecuária depende de bovinos da Índia, de eqüinos da Ásia Central e de capins Africanos. A piscicultura depende de carpas da China e de tilápias da África Oriental, e a apicultura está baseada em variedades da abelha-europa provenientes da Europa e da África Tropical.
É fundamental que o país intensifique a implementação de programas de pesquisa na busca de um melhor aproveitamento da biodiversidade brasileira e continue a ter acesso aos recursos genéticos exóticos, também essenciais para o melhoramento da agricultura, pecuária, silvicultura e piscicultura nacionais.
Essa necessidade está ligada à importância que a biodiversidade ostenta na economia do país. Somente o setor da Agroindústria responde por cerca de 40% do PIB brasileiro , calculado em US$ 866 bilhões no ano de 1997), o setor florestal por 4% do PIB e o setor pesqueiro por 1% do PIB. Produtos da biodiversidade respondem por 31% das exportações brasileiras, especialmente destacando café, soja e laranja. As atividades de extrativismo florestal e pesqueiro empregam mais de três milhões de pessoas. A biomassa vegetal, contando o álcool da cana-de-açúcar e a lenha e o carvão derivados de florestas nativas e plantadas respondem por 30% da matriz energética nacional e em determinadas regiões, como o Nordeste, atendem a mais da metade da demanda energética industrial e residencial. Grande parte da população brasileira utiliza-se de plantas medicinais na solução de problemas corriqueiros de saúde. A diversidade biológica constitui, portanto, uma das características de recursos ambientais, fornecendo produtos para exploração e consumo e prestando serviços de uso indireto. É importante, portanto, a disseminação da prática da valoração da diversidade biológica. A redução da diversidade biológica compromete a sustentabilidade do meio ambiente e a disponibilidade permanente dos recursos ambientais.
Cálculos sobre a biodiversidade global, conduzidos por E.O. Wilson, da Universidade de Harvard, indicavam, em 1987, a existência de mais de 5 milhões de espécies de organismos. Entretanto, coletas intensivas conduzidas à época, principalmente na floresta tropical úmida, e com atenção concentrada nos insetos, permitiram projetar valor da ordem de 30 milhões de espécies. Novos trabalhos recentemente conduzidos estimaram que a biodiversidade do planeta pode alcançar valores ainda muito mais elevados, sendo admitida uma amplitude que vai de 10 a 100 milhões de espécies. A realidade dos fatos, entretando, é que o número de espécies hoje conhecido em todo o planeta está em torno de 1,7 milhões, valor que atesta o elevado grau de desconhecimento da biodiversidade, mormente nas regiões tropicais.
Lista das espécies ameaçadas de extinção: http://www.mma.gov.br/port/sbf/fauna/index.cfm
® AGUA - Associação Guardiã da Água - 2004 Todos os Direitos Reservados
Biodiversidade
Pode ser definida como a variedade e a variabilidade existente entre os organismos vivos e as complexidades ecológicas nas quais elas ocorrem. Ela pode ser entendida como uma associação de vários componentes hierárquicos: ecossistema, comunidade, espécies, populações e genes em uma área definida. A biodiversidade varia com as diferentes regiões ecológicas, sendo maior nas regiões tropicais do que nos climas temperados.
Diversidade biológica
" significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas. (Artigo 2 da Convenção sobre Diversidade Biológica)
Mais claramente falando, diversidade biológica, ou biodiversidade, refere-se à variedade de vida no planeta terra, incluindo a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas; e a variedade de comunidades, hábitats e ecossistemas formados pelos organismos. Biodiversidade refere-se tanto ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas quanto à abundância relativa (equitabilidade) dessas categorias; e inclui variabilidade ao nível local (alfa diversidade), complementaridade biológica entre hábitats (beta diversidade) e variabilidade entre paisagens (gama diversidade). Biodiversidade inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes.
A Biodiversidade éuma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas, e fonte de imenso potencial de uso econômico. A biodiversidade é a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais e, também, a base para a estratégica indústria da biotecnologia. As funções ecológicas desempenhadas pela biodiversidade são ainda pouco compreendidas, muito embora considere-se que ela seja responsável pelos processos naturais e produtos fornecidos pelos ecossistemas e espécies que sustentam outras formas de vida e modificam a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a vida. A diversidade biológica possui, além de seu valor intrínseco, valor ecológico, genético, social, econômico, científico, educacional, cultural, recreativo e estético. Com tamanha importância, é preciso evitar a perda da biodiversidade.
Impactos sobre a biodiversidade
Tanto a comunidade científica internacional quanto governos e entidades não-governamentais ambientalistas vêm alertando para a perda da diversidade biológica em todo o mundo, e, particularmente nas regiões tropicais. A degradação biótica que está afetando o planeta encontra raízes na condição humana contemporânea, agravada pelo crescimento explosivo da população humana e pela distribuição desigual da riqueza. A perda da diversidade biológica envolve aspectos sociais, econômicos, culturais e científicos.
Em anos recentes, a intervenção humana em hábitats que eram estáveis aumentou significativamente, gerando perdas maiores de biodiversidade. Biomas estão sendo ocupados, em diferentes escalas e velocidades. Áreas muito extensas de vegetação nativa foram devastadas no Cerrado do Brasil Central, na Caatinga e na Mata Atlântica. É necessário que sejam conhecidos os estoques dos vários hábitats naturais e dos modificados existentes no Brasil, de forma a desenvolver uma abordagem equilibrada entre conservação e utilização sustentável da diversidade biológica, considerando o modo de vida das populações locais.
Como resultado das pressões da ocupação humana na zona costeira, a Mata Atlântica, por exemplo, ficou reduzida a aproximadamente 10% de sua vegetação original. Na periferia da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, são encontradas áreas com mais de 500 espécies de plantas por hectare, muitas dessas são árvores de grande porte, ainda não descritas pela ciência.
Os principais processos responsáveis pela perda da biodiversidade são:
Perda e fragmentação dos hábitats;
Introdução de espécies e doenças exóticas;
Exploração excessiva de espécies de plantas e animais;
Uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e nos programas de reflorestamento;
Contaminação do solo, água, e atmosfera por poluentes; e
Mudanças Climáticas.
As inter-relações das causas de perda de biodiversidade com a mudança do clima e o funcionamento dos ecossistemas apenas agora começam a ser vislumbradas.
Três razões principais justificam a preocupação com a conservação da diversidade biológica. Primeiro porque se acredita que a diversidade biológica seja uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas. Segundo porque se acredita que a diversidade biológica representa um imenso potencial de uso econômico, em especial pela biotecnologia. Terceiro porque se acredita que a diversidade biológica esteja se deteriorando, inclusive com aumento da taxa de extinção de espécies, devido ao impacto das atividades antrópicas.
O Princípio da Precaução, aprovado na Declaração do Rio durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - CNUMAD (Rio-92), estabelece que devemos agir já e de forma preventiva, ao invés de continuar acomodados aguardando a confirmação das previsões para então tomar medidas corretivas, em geral caras e ineficazes.
Riqueza de espécies
O Brasil tem uma área de 8,5 milhões km², ocupando quase a metade da América do Sul. Essa área possui várias zonas climáticas que incluem o trópico úmido no norte, o semi-árido no nordeste e áreas temperadas no sul. As diferenças climáticas contribuem para as diferenças ecológicas formando zonas biogeográficas distintas chamadas biomas. A maior floresta tropical úmida (Floresta Amazônica) e a maior planínice inundável (o Pantanal) do mundo se encontram nesses biomas, além do Cerrado (savanas e bosques), da Caatinga (florestas semi-áridas) e da Mata Atlântica (floresta tropical pluvial). O Brasil possui uma costa marinha de 3,5 milhões km² com uma variedade de ecossistemas que incluem recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos.
A variedade de biomas reflete a riqueza da flora e fauna brasileiras, tornando-as as mais diversas do mundo. Muitas das espécies brasileiras são exclusivas no mundo (endêmicas). O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo, contando com um número estimado de mais de 20% do número total de espécies do planeta. Diversas espécies de plantas de importância econômica mundial são originárias do Brasil, destacando-se dentre elas o abacaxi, o amendoim, a castanha do Brasil (também conhecida como castanha do Pará), a mandioca, o caju e a carnaúba.
O Brasil abriga o maior número de primatas com 55 espécies, o que corresponde a 24% do total mundial; de anfíbios com 516 espécies; e de animais vertebrados com 3.010 espécies de vertebrados vulneráveis, ou em perigo de extinção. O país conta também com a mais diversa flora do mundo, número superior a 55 mil espécies descritas, o que corresponde a 22% do total mundial. Possui por exemplo, a maior riqueza de espécies de palmeiras (390 espécies) e de orquídeas (2.300 espécies). Possui também 3.000 espécies de peixes de água doce totalizando três vezes mais que qualquer outro país do mundo.
O Brasil é agraciado não só com a maior riqueza de espécies mas, também, com a mais alta taxa de endemismo. Uma em cada onze espécies de mamíferos existentes no mundo é encontrada no Brasil (522 espécies), juntamente com uma em cada seis espécies de aves (1.622), uma em cada quinze espécies de répteis (468), e uma em cada oito espécies de anfíbios (516). Muitas dessas são exclusivas para o Brasil, com 68 espécies endêmicas de mamíferos, 191 espécies endêmicas de aves, 172 espécies endêmicas de répteis e 294 espécies endêmicas de anfíbios. Esta riqueza de espécies corresponde a, pelo menos, 10% dos anfíbios e mamíferos e 17% das aves descritas em todo o planeta.
A composição total da biodiversidade brasileira não é conhecida e talvez nunca venha a ser, tal a sua magnitude e complexidade. Sabendo-se, entretanto, que para a maioria dos seres vivos o número de espécies no território nacional, na plataforma continental e nas águas jurisdicionais brasileiras é elevado, é fácil inferir que o número de espécies, tanto terrestres quanto marinhas, ainda não identificadas, pode alcançar valores da ordem de dezena de milhões no Brasil.
Apesar da riqueza de espécies nativas, a maior parte de nossas atividades econômicas está baseada em espécies exóticas. Nossa agricultura está baseada na cana-de-açúcar proveniente da Nova Guiné, no café da Etiópia, no arroz das Filipinas, na soja e na laranja da China, no cacau do México e no trigo da Ásia Menor. A silvicultura nacional depende de eucaliptos da Austrália e de pinheiros da América Central. A pecuária depende de bovinos da Índia, de eqüinos da Ásia Central e de capins Africanos. A piscicultura depende de carpas da China e de tilápias da África Oriental, e a apicultura está baseada em variedades da abelha-europa provenientes da Europa e da África Tropical.
É fundamental que o país intensifique a implementação de programas de pesquisa na busca de um melhor aproveitamento da biodiversidade brasileira e continue a ter acesso aos recursos genéticos exóticos, também essenciais para o melhoramento da agricultura, pecuária, silvicultura e piscicultura nacionais.
Essa necessidade está ligada à importância que a biodiversidade ostenta na economia do país. Somente o setor da Agroindústria responde por cerca de 40% do PIB brasileiro , calculado em US$ 866 bilhões no ano de 1997), o setor florestal por 4% do PIB e o setor pesqueiro por 1% do PIB. Produtos da biodiversidade respondem por 31% das exportações brasileiras, especialmente destacando café, soja e laranja. As atividades de extrativismo florestal e pesqueiro empregam mais de três milhões de pessoas. A biomassa vegetal, contando o álcool da cana-de-açúcar e a lenha e o carvão derivados de florestas nativas e plantadas respondem por 30% da matriz energética nacional e em determinadas regiões, como o Nordeste, atendem a mais da metade da demanda energética industrial e residencial. Grande parte da população brasileira utiliza-se de plantas medicinais na solução de problemas corriqueiros de saúde. A diversidade biológica constitui, portanto, uma das características de recursos ambientais, fornecendo produtos para exploração e consumo e prestando serviços de uso indireto. É importante, portanto, a disseminação da prática da valoração da diversidade biológica. A redução da diversidade biológica compromete a sustentabilidade do meio ambiente e a disponibilidade permanente dos recursos ambientais.
Cálculos sobre a biodiversidade global, conduzidos por E.O. Wilson, da Universidade de Harvard, indicavam, em 1987, a existência de mais de 5 milhões de espécies de organismos. Entretanto, coletas intensivas conduzidas à época, principalmente na floresta tropical úmida, e com atenção concentrada nos insetos, permitiram projetar valor da ordem de 30 milhões de espécies. Novos trabalhos recentemente conduzidos estimaram que a biodiversidade do planeta pode alcançar valores ainda muito mais elevados, sendo admitida uma amplitude que vai de 10 a 100 milhões de espécies. A realidade dos fatos, entretando, é que o número de espécies hoje conhecido em todo o planeta está em torno de 1,7 milhões, valor que atesta o elevado grau de desconhecimento da biodiversidade, mormente nas regiões tropicais.
Lista das espécies ameaçadas de extinção: http://www.mma.gov.br/port/sbf/fauna/index.cfm
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